sábado, outubro 21, 2017
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É bom saber: 7 dados importantes sobre epilepsia para acabar com o preconceito

É bom saber: 7 dados importantes sobre epilepsia para acabar com o preconceito

Muitos tabus e preconceitos ainda rondam a vida de quem sofre da epilepsia, que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), atinge até 1% da população global. Entidades internacionais realizam diversas ações em prol do Dia Nacional e Latino Americano da Epilepsia, no dia 9 de setembro.

A data, simbólica, é uma maneira de chamar a atenção da população para a importância da disseminação de informação e conscientização sobre a epilepsia, socialmente ainda muito estigmatizada, o que impede, muitas vezes, de o paciente procurar tratamento adequado com um especialista e manter uma boa qualidade de vida.

O neurocirurgião doutor Luiz Daniel Cetl, especialista em epilepsia e integrante do Departamento de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), elenca 7 informações importantes sobre este transtorno neurológico, que quebra mitos, tabus e preconceitos sobre a epilepsia.

A epilepsia não é uma doença mental

A epilepsia é um transtorno neurológico, não sendo uma doença mental ou transmissível.

Trata-se de uma disfunção do cérebro que ocasiona descargas elétricas anormais e excessivas dos neurônios, que interrompem temporariamente sua função habitual e produzem manifestações involuntárias no comportamento, no controle muscular, na consciência e/ou na sensibilidade do indivíduo.

Quais as causas?

Muitas vezes, a causa da epilepsia é desconhecida, mas pode ter origem após ferimentos sofridos na cabeça, recentes ou não. Traumas na hora do parto, abusos de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas também podem ser gatilhos para o aparecimento da doença.

Nem toda convulsão é uma crise da epilepsia

A crise epiléptica convulsiva pode ser um dos aspectos da epilepsia. Apesar de comumente ser associada à uma crise epiléptica, é importante saber que nem toda a convulsão é sintoma ou uma crise da epilepsia.

Para uma crise convulsiva ser classificada como sintoma de epilepsia, é preciso que o indivíduo tenha apresentado, no mínimo, duas ou mais crises convulsivas no período de 12 meses, sem apresentar febre, ingestão de álcool, intoxicação por drogas ou abstinência, durante as mesmas.

Além disso, não é porque uma pessoa tem epilepsia que, necessariamente, suas crises serão do tipo convulsiva.

Quais tipos de epilepsia?

As epilepsias podem ser focais, conhecidas como parciais, quando atingem apenas uma parte da área cerebral; ou generalizadas, quando atingem todo o cérebro. As características das crises vão depender da origem das descargas elétricas no cérebro.

Cada crise pode ocasionar um sintoma ao paciente. Quando são parciais simples, temos sintomas apenas no quesito motor, visual ou de mal-estar, sem afetar a consciência. Entretanto, as parciais complexas, além de acometer o controle motor ou visual, há também alguma alteração na consciência, mas não sua total perda. Por último, existe ainda a crise generalizada que, além do acometimento do controle motor, também ocorre a perda de consciência.

Como é o diagnóstico?

Este transtorno neurológico pode ser diagnosticado clinicamente. Faz-se a anamnese e exames físicos, ou ainda exames como eletroencefalograma (EEG) e de neuroimagem. O paciente com epilepsia para receber seu diagnóstico pode procurar, inicialmente, um neurologista que, dependendo do caso, poderá encaminhá-lo para um neurocirurgião especialista em epilepsia.

Como é o tratamento da epilepsia?

O tratamento base para o controle das crises e sintomas da epilepsia é medicamentoso. No entanto, nem todos casos recebem respostas positivas, o que pode sugerir a indicação da realização de um procedimento cirúrgico.

Atualmente, são três os principais tipos de cirurgia:

Ressectiva: indicada para casos em que se sabe o foco cerebral das descargas que ocasionam uma crise da epilepsia e remove-se por completo a zona de início ictal (local do ataque súbito), visando o controle completo das crises convulsivas;

Desconectiva: quando a origem da descarga é de apenas um lado, consegue-se a separação entre os dois hemisférios, para que as descargas não passem de um lado para o outro;

Neuromodulação – estimulação do nervo vago: um implante cerebral de um estimulador ligado por um marca-passo, localizado na região da clavícula, envia impulsos elétricos ininterruptos através de um eletrodo posicionado no nervo vago. Estes sinais são replicados para o cérebro, interferindo na frequência das crises epiléticas.

Com as crises controladas, o paciente pode ter uma vida normal

Infelizmente, a epilepsia ainda produz muito impacto social e psicológico na vida do paciente. Muitas vezes, o preconceito e a desinformação são mais limitantes do que o próprio transtorno neurológico, pois cria insegurança, desconforto e medo no paciente, que se sente vulnerável em não poder controlar suas crises voluntariamente.

É importante contornar esse sentimento, a começar por todo suporte emocional que amigos e familiares devem prestar à pessoa epiléptica.

A epilepsia não é incapacitante e, com tratamento e acompanhamento correto, não impede ninguém de levar uma vida normal. É possível incluir em seu dia a dia atividades sociais e laborativas. Como exemplo disso, vários nomes da literatura, arte, cinema, ciência e música se destacaram em suas atividades, como Alfred Nobel, Isaac Newton, Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis.

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Maurício Araya
Jornalista graduado (DRT-MA nº 1.139), com ênfase em produção de conteúdo para web, edição de fotos e vídeos e desenvolvimento de infográficos; com passagem pelas redações do Imirante.com e G1 Maranhão; e vencedor de duas etapas estaduais do Prêmio Sebrae de Jornalismo, categoria Webjornalismo
http://www.mauricioaraya.com.br